MEMÓRIAS DE JEQUIÉ

Um povo sem história é um povo vazio. E quem não relembra os feitos de seu povo, não vive, não tem alma, não sente a vida, não vibra. (Leon Frejda Szklarowsky)

O blog MEMÓRIAS DE JEQUIÉ um espaço de regate da história da nossa Cidade Sol. Fatos engraçados, importantes, inusitados, Jequié como era em termos de estrutura entre outros assuntos.

por maurogurgel Postado em Jequié

“Brasil, Ame-o ou deixe-o”: regime divide sociedade com exílios e cassações

banner_64_02Registro Histórico – Agência Brasil

Tanques nas ruas, população dividida e um presidente da República acuado e sem apoio. Nesse cenário, há 50 anos, se iniciava no Brasil o mais longo e duro período de ditadura do país, que perduraria 21 anos. Nas primeiras horas do dia 31 de março de 1964, tropas comandadas pelo general Olímpio Mourão partiram de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro consumando um golpe há muito tempo planejado pelas forças militares.

Tanques em frente ao Congresso Nacional, no tumultuado ano de 1964 (foto arquivo nacional)

Tanques em frente ao Congresso Nacional, no tumultuado ano de 1964 (foto Arquivo Público DF)

Isolado, o então presidente da República João Goulart, conhecido como Jango, pouco pôde fazer para evitar o golpe. Com a economia do país em crise e sem forças para promover as reformas de base, principal bandeira de seu governo, ele deixa Brasília rumo ao Rio Grande do Sul no dia 1º de abril.
Alguns dias depois, e dando o golpe como irreversível, o presidente parte com a família rumo ao Uruguai em um carro preto, escoltado por militares que ainda mantinham lealdade à Constituição. Jango morre na Argentina 12 anos depois. Inicialmente apontada como infarto, a causa da morte de João Goulart é investigada até hoje.

Tanques do Exército ocupam as ruas do Rio de Janeiro no golpe de 1964, iniciando o mais longo período de exceção do país Arquivo Nacional

Tanques do Exército ocupam as ruas do Rio de Janeiro no golpe de 1964, iniciando o mais longo período de exceção do país Arquivo Nacional

Para o doutor em história e professor da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Barbosa, os militares já haviam orquestrado uma espécie de golpe contra a democracia brasileira três anos antes. Com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, os militares atuaram para impedir a posse do vice, Jango, e o Congresso Nacional aprovou a mudança de sistema de governo, que passou do presidencialismo para o parlamentarismo, no qual o presidente da República não detém a chefia de governo.

“[Os militares] permitiram que João Goulart chegasse ao poder [em 1961], mas tiraram os poderes dele. Por isso, do dia 7 de setembro de 1961 até janeiro de 1963, quando houve o plebiscito e o não [ao parlamentarismo] venceu, Jango teve os poderes limitados”, relembra.

por maurogurgel Postado em Jequié

“Quem dera houvesse em cada município um Émerson Pinto de Araújo”

Professor Émerson discursando ao receber o título de Cidadão de Jequié, em 2012

Professor Émerson discursando ao receber o título de Cidadão de Jequié, em 2012

A citação que serve de título a esta postagem é de autoria do renomado professor baiano Adoaldo Ribeiro Costa, ao referir-se a contribuição que o professor Émerson Pinto de Araújo presta a várias gerações de pessoas, pesquisando e publicando dados relativos a história que resultou no surgimento do município de Jequié. De autoria do professor Émerson, relacionadas com o município,  as publicações intituladas “Fatos & Coisas de Jequié”, “Por que Jiquié?”, “Dados sobre o Município de Jequié”, História de Jequié (1968)”, “Capítulos da História de Jequié (1996)” e “A Nova História de Jequié” Na apresentação desta última publicação em 2008, o então prefeito de Jequié, professor Reinaldo Moura Pinheiro, diz “A obra, A Nova História de Jequié, do historiador Émerson Pinto de Araújo”, é reveladora do papel singular desse historiados para a educação da comunidade jequieense e nasce em sequência a outros trabalhos de sua autoria [...] Pelas suas palavras viajamos no tempo para situar cada acontecimento que como uma estratégia importante na luta contra o esquecimento, de  fatos que precisam ser revividos, porque eles ajudam a compreender o passado para se pensar o futuro do município” [...]

Prof. Émerson ao lado da esposa Prof. Terezinha, da cunhada Prof. Luíza e a plateia que prestigiou a homenagem da Câmara ao historiador

Prof. Émerson ao lado da esposa Prof. Terezinha, da cunhada Prof. Luíza e a plateia que prestigiou a homenagem da Câmara ao historiador

Quem é Émerson Pinto – Nascido em Salvador, a 11 de fevereiro de 1926, diplomou-se professor do ensino médio, sendo aprovado em concurso público em 1953, assumiu a condição de titular da cadeira de História Geral e do Brasil, no Instituto de Educação Régis Pacheco-IERP, do qual foi diretor de 1959 a 1962. Lecionou em outros colégios, incluindo a Escola Normal de Jequié, na cadeira de História da Educação e Sociologia Geral. Em Jequié participou de vários movimentos sociais sendo membro fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho Comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, do Comitê Cidades Irmãs Jequié-Takoma Park, da Academia de Letras de Jequié. Participou da Loja Maçônica União Beneficente e do Rotary Clube, sendo aclamado  Governador do Distrito 4550, em 1990. Militou na política elegendo-se vereador para a legislatura 1951-1955 e presidente da Câmara de 1953 a 1955. Abandonou a política partidária após a morte de Otávio Mangabeira, político a quem admirava. [...] “Sem dúvida, alguma, o maior estudioso de nossa história e de nossa região”. Somente a 6 de agosto de 2012, atendendo proposição do advogado e vereador Joaquim Caires Rocha (PMDB), ex-alunos do professor Émerson Pinto, a Câmara Municipal de Jequié, legislatura 2009/2012, possibilitou o resgate de uma dívida histórica do legislativo municipal com o seu ex-presidente, outorgando por merecimento, o título de Cidadão Jequieense ao professor Émerson Pinto, que com humildade agradeceu dizendo estar tomado pela emoção em fazer reviver naquele instante os grandes momentos vividos em Jequié.

por maurogurgel Postado em Jequié

Praça dos Caixeiros Viajantes. Homenagem aos propulsores do comércio

Praça dos Caixeiros Viajantes em Jequié fotografada na década de 1970 (autor desconhecido)

Praça dos Caixeiros Viajantes em Jequié fotografada na década de 1970 ( foto de autor desconhecido)

A Praça dos Caixeiros Viajantes foi inaugurada em Jequié com o propósito de homenagear os representantes comerciais, no passado também conhecidos como “Cometas” pela importância do trabalho que desempenhavam na circulação de mercadorias vinda da Capital e, entre os municípios do interior. Na cidade de Ipiau, a homenagem foi prestada com a Praça dos Cometas. Antigamente, quando não havia a facilidade do transporte entre cidades, os caixeiros-viajantes eram a única forma de transportar produtos entre diferentes regiões fora das grandes cidades. O mesmo que mascate, mercador ambulante que percorre as ruas e estradas a vender produtos manufaturados, tecidos, jóias, etc.

por maurogurgel Postado em Jequié

Jequié – Memória fotográfica: O antigo cemitério

Até a enchente de 1914, o cemitério funcionou no local onde foi construído o Grupo Escolar Castro Alves, hoje o Museu de Jequié

Até a enchente de 1914, o cemitério funcionou no local onde foi construído o Grupo Escolar Castro Alves, hoje o Museu de Jequié

[...] Antes da grande enchente, o cemitério estava localizado na atual Praça Castro Alves, no local onde foi erguido o Grupo Escolar com o nome do poeta. Excepcionalmente, algumas pessoas gradas chegaram a ser sepultadas no interior da antiga igreja, à Praça Luiz Viana. Imóveis acompanhavam a margem esquerda do Rio das Contas até a Gameleira… Émerson Pinto de Araújo, A Nova História de Jequié, 2008

Aspecto da construção do Grupo Escolar Castro Alves e a  parte do fundo onde foi construído o Espaço Cultural Dom Cristiano

Aspecto da construção do Grupo Escolar Castro Alves e a parte do fundo onde foi construído o Espaço Cultural Dom Cristiano

por maurogurgel Postado em Jequié

Jequié – Memória fotográfica: A feira livre 2

Praça Rui Barbosa para onde foi deslocada a feira livre após a enchente de 1914

Praça Rui Barbosa para onde foi deslocada a feira livre após a enchente de 1914

[...] Numa antiga manga da firma Roberto Grillo & Cia, surgiu a Praça Rui Barbosa, onde a feira passou a ser realizada, enquanto imóveis novos foram edificados em artérias que recebiam os nomes de João Mangabeira, 7 de Setembro, 2 de Julho, Silva Jardim, Pirajá, Dom Pedro II, 15 de Novembro etc. Émerson Pinto de Araújo, A Nova História de Jequié, 2008

Praça Rui Barbosa fotografada de outro ângulo podendo ser visto o chamado "Colarinho de Saback"

Praça Rui Barbosa fotografada de outro ângulo podendo ser visto o chamado “Colarinho de Saback”

Arquitetura da Praça Rui Barbosa que prevaleceu até a década de 1960

Arquitetura da Praça Rui Barbosa que prevaleceu até a década de 1960

 

 

por maurogurgel Postado em Jequié

Jequié – Memória fotográfica: O Sobrado dos Grillos

Sobrado dos Grillos (à esquerda)

Sobrado dos Grillos (à esquerda)

[...] Lamentavelmente, o sobrado dos Grillos, como era chamado, só existe hoje em fotografias. Não faz muito tempo (1990), uma parte da parede lateral que dava para a Rua Dois de Julho ruiu. Nada, absolutamente nada foi feito pelo poder público no sentido de recuperá-la. Afinal de contas os gastos não eram elevados. O sobrado agonizou e Jequié perdeu seu cartão postal e uma relíquia do seu passado, por falta de sensibilidade.

Edifício Grillo, como era chamado na época da sua demolição

Edifício Grillo, como era chamado na época da sua demolição

[...] São coisas que acontecem. Os prédios se assemelham aos indivíduos. Uns são leves e graciosos, agradam à vista. Outros, pesados e taciturnos, anuviam a paisagem. Há os que chegam à velhice caindo aos pedaços. Inspiram compaixão. Existem os espalhafatosos, primando pela irreverência. Uns, ostentam luxo e riqueza; outros, exibem miséria. Há os bem comportados, servindo ao saber, à saúde, à família. Há os suspeitos, dedicados aos amores proibidos, ao vício e à clandestinidade. Sim, os prédios, casas, casebres, edifícios, palácios… – possuem alma e se assemelham aos indivíduos. [...] Émerson Pinto de Araújo, A Nova História de Jequié, 2008.

por maurogurgel Postado em Jequié

Jequié – Memória Fotográfica: A feira livre

Feira Livre após a enchente de 1914 na Praça Ruy Barbosa (foto autor desconhecido)

Feira Livre após a enchente de 1914 na Praça Rui Barbosa (foto autor desconhecido)

[...] O comércio deslocou-se da Praça Luiz Viana para as ruas 7 de setembro e João Mangabeira. A feira semanal foi igualmente transferida para a atual Praça Rui Barbosa até então mangueiro da firma Grillo Marota, a qual não tardaria em construir o sobrado que, na época, foi motivo de admiração dos forasteiros, servindo de cartão postal de Jequié, ao lado da Catedral, com o seu estilo gótico. A Nova História de Jequié, Émerson Pinto de Araújo, 2008.

Ruas Sete de Setembro e João Mangabeira centro comercial da cidade (foto autor desconhecido)

Ruas Sete de Setembro e João Mangabeira centro comercial da cidade (foto autor desconhecido)

 

por maurogurgel Postado em Jequié

Jequié – Memória Fotográfica: A Praça do Comércio

Praça Luiz Viana, década de 1960 (foto de autor desconhecido)

Praça Luiz Viana, década de 1960 (foto de autor desconhecido)

[...] Quando Jequié conquistou o foral de cidade, em 1910, a população do municipio andava pela casa de 11.731 almas e o orçamento municipal apresentava uma receita prevista em 12 contos de réis [...] Para centralizar as atividades comerciais e as repartições públicas surgiu a Praça do Comércio (Luís Viana), abrigando em lugar de destaque a igreja da matriz. Para a Praça do Comércio, interligada à Praça São João (Cel. João Borges), convergiram as estreitas vias públicas onde se localizavam as casas residenciais, ocupando a Rua da Vitória (Lindolfo Rocha), lugar de destaque. A Nova História de Jequié, de Emerson Pinto de Araújo, 2008.

Praça São João ganhou posteriormente a denominação atual de Praça Cel. João Borges

Praça São João ganhou posteriormente a denominação atual de Praça Cel. João Borges

por maurogurgel Postado em Jequié

Escola Prática criada para despertar o interesse pelo Jornalismo em Jequié

O diretor Eunísio Bomfim em uma "aula de campo" com uma turma de alunos visitando a Barragem da Pedra

O diretor Eunísio Bomfim em uma “aula de campo” com uma turma de alunos visitando a Barragem da Pedra

A 3 de janeiro de 1971, os fundadores e diretores do Jornal de Jequié, Wilson Novais e Eunísio Bomfim, realizaram solenidade de fundação em Jequié, da Escola Prática de Jornalismo e Artes Gráficas Antonio Muniz do Amaral, entidade sem fins lucrativos que, de acordo com os seus idealizadores tinha como único objetivo,  incentivar e despertar na comunidade, especialmente nos jovens da cidade, o interesse pelo Jornalismo. A “escolinha” como era carinhosamente conhecida, não tinha a pretensão de graduar e diplomar jornalistas, tarefa das faculdades e universidades da área. Com aulas de conhecimentos gerais, português e técnicas de elaboração de reportagens, ao longo de mais de uma década de funcionamento a EPJAGAMA, registrou em seus livros de matrículas mais de uma centena de concluintes, que tinha duração de um ano,  muitos dos quais exerceram e contribuíram, à época, com os veículos de imprensa da cidade. A primeira diretoria da Escola esteve constituída pelo presidente Wilson Novais, 1º secretário, Wilson Novaes Júnior, 2º secretário, Hélio Silva Nascimento, diretor-tesoureiro, Eunísio Bomfim e bibliotecário, Henrique Meira Magalhães. Na ata da sessão de instalação constam as presenças de Salvador Amaral, Etelvino Torres de Oliveira, Luiz Cotrim, Newton Neves Cotrim, Geracina Aguiar Pinto, Francisco de Sanctis, Leonel Ribeiro de Oliveira e Maria Alves da Cruz, dentre outros que se transformaram em colaboradores durante o período de funcionamento da instituição.

por maurogurgel Postado em Jequié

Presença do Sinjorba em Jequié

Ex-presidente do Sinjorba, Heloisa Sampaio e membros da imprensa local em frente a sede antiga do Jornal de Jequié

Ex-presidente do Sinjorba, Heloisa Sampaio e membros da imprensa local em frente a sede antiga do Jornal de Jequié

Na década de 1980 após  trabalho iniciado pelos jornalistas Wilson Novaes  e Kleber Barreto (já falecido), ao participarem de um Encontro de Jornalistas no Interior da Bahia, na cidade de Juazeiro, nasceu a iniciativa da criação em Jequié,  da delegacia regional Sudeste do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia-Sinjorba. Até então, os profissionais em atividades na cidade eram jurisdicionados à delegacia Sul, com sede em Itabuna. A luta foi encampada pelos demais jornalistas com atividades na cidade, em especial Ari Moura, que chegou à condição de vice-presidente do Sinjorba, tendo inclusive, assumido interinamente a presidência da entidade. A foto acima testemunha uma das inúmeras reuniões que a ex-presidente Heloísa Gerbasi Sampaio, realizou em Jequié, na sua luta pela interiorização do sindicato. Em frente à sede antiga do Jornal de Jequié, na Avenida Ministro Hélio de Almeida, a ex-presidente marcou uma de suas visitas à delegacia, posando para foto ao lado de Ari Moura, Raimundo Matos, Raymundo Meira, Carlos Eden, Natal  Graziani, Kleber Barreto, Álvaro Araújo, Wilson Novaes, Alba Benemérita e Mina (funcionária do Crea em Salvador).

por maurogurgel Postado em Jequié